Tudo indica que estará prestes a chegar ao mercado. Um Mac para pôr debaixo do braço.
Na área das necessidades especiais precisamos mesmo de hardware portátil.
Tudo indica que estará prestes a chegar ao mercado. Um Mac para pôr debaixo do braço.
Na área das necessidades especiais precisamos mesmo de hardware portátil.
No passado dia 9 de Janeiro, ao ouvir Steve Jobs apresentar o iPhone, prometido para entrar no mercado americano em Julho deste ano e que surgirá na Europa até ao final do ano, houve duas coisas que me chamaram a atenção:
Bom, aparentemente nada, ou melhor aparentemente tudo; na realidade não sei.
O primeiro sublinhado de Steve Jobs, consistente como já nos habituou, leva-nos a pensar que o iPhone terá as aplicações que incorporam, de raíz, o Mac OS X. Se isso for assim, é razoável pensarmos que o VoiceOver, leitor de ecrã essencial para que pessoas cegas possam ler, fará parte do iPhone. O iPhone será assim, à semelhança do que sucede com os computadores Mac, o primeiro telefone a incorporar um leitor de ecrã de origem - i.e. Design Universal.
O segundo elemento que me chamou a atenção foi a forma como, usando dois dedos, geralmente o polegar e o indicador, Steve Jobs obtinha pormenores ampliados do ecrã. Juntando este elemento ao Zoom, aplicação que incorpora, de raíz, o Mac OS X, é legítimo pensar que o iPhone terá um sistema de ampliação que, entre outras coisas, é óptimo para pessoas com baixa visão.
Quanto ao primeiro elemento levanta-se uma interrogação pertinente. É uma verdade que os softwares de leitura de ecrã servem para fazer chegar a informação, principalmente, a pessoas cegas através de síntese de fala e até mesmo em braille (tudo indica que o Mac OS X Leopard vai trazer esta possibilidade). Mas, ... e o teclado de ecrã? Como poderá uma pessoa cega usar um teclado de ecrã? É uma boa pergunta e a resposta é, já hoje, uma realidade. Experimente, por exemplo, pressionar o canto inferior direito do ecrã das máquinas de venda de bilhetes no Metropolitano de Lisboa. Nalgumas delas terá uma agradável surpresa. Surpresa esta que permite às pessoas cegas comprar o bilhete. E as máquinas de venda de bilhetes do Metropolitano de Lisboa têm o teclado no ecrã. Mas há mais... mesmo nos PDAs, onde este problema de interação também existe, há investigação em curso. Veja-se, por exemplo, a memória descritiva do projecto BloNo - Bloco de Notas Electrónico, que tem por grupo-alvo pessoas cegas e gira em volta da interacção destes com teclados de ecrã de dispositivos portáteis.
Por último, talvez porque não há duas sem três e que enforma a estratégia de desenvolvimento do IPhone, há uma terceira característica, enumerada por Steve Jobs que poderá tornar-se vantajosa para pessoas com necessidades especiais. Tal como Tim Berners-Lee no final da década de 80 se confrontou com um problema de computadores com necessidades especiais que o levou a inventar a World Wide Web, também Steve Jobs destaca as necessidades especiais de cada uma das aplicações para justificar a construção de um teclado apropriado a cada uma. A solução parece passar por uma superfície plana, controlada com a ponta dos dedos, onde poderão ser concebidos "n" teclados capazes de responder a cada aplicação mas também, digo eu, a cada utilizador.
Para justificar o porquê da Apple se ter iniciado na construção do iPhone, Steve Jobs cita Alan Kay, que há 30 anos atrás, disse:
People who are really serious about software should make their own hardware.
Confesso que quando assisti pela primeira vez à apresentação, neste processo de tradução quase que inconsciente de inglês para português, percebi algo, que a ser verdade, seria ainda mais revolucionário:
People who are really serious about software should be transform it in "hardware".
Ou seja, para quê fazer botões físicos (teclas) se os mesmos podem ser feitos por software? Imaginei eu então que, aquilo que Jobs nos estava a dizer era que tinha encontrado a chave da personalização do hardware ao Homem: onde hoje há hardware temos de passar a ter software. Mas não me parece que o Jobs tenha dito isto de forma explicita embora o iPhone seja um exercício prático deste enunciado. O potencial desta estratégia para o Universal Access é fenomenal e fará do hardware peças irreconhecíveis no futuro. Será que era isto que o CEO da Apple nos quis dizer ao afirmar que o iPhone estava 5 anos adiantado face aos seus pseudo-concorrentes ou serei eu que tropeçei em algo que me fez ir parar uma década à frente?

Anne Robertson ficou cega quando era ainda criança. Ela é actualmente uma profissional de tradução de Francês para Inglês usando a última versão do leitor de ecrã do Mac OS X em combinação com as vozes sintetizadas Francesa e Inglesa.
Neste pequeno vídeo, ela mostra como faz uso do VoiceOver. Com o VoiceOver ela conseguiu acelerar a velocidade do trabalho de tradução uma vez que passou a ouvir o texto num idioma enquanto escreve num outro idioma. Anne Robertson vive em Orry la Ville, França.
Veja o vídeo de Anne Robertson no episódio 3 do PodCast da AssistiveWare.
A equipa portuguesa do nº1 da revista iCreate andou a ver o que já se pode ver do sucessor do Mac OS Tiger. Quanto à acessibilidade diz-se o seguinte:
O Leopard está melhor em termos de acessibilidade e há um novo personagem para o VoiceOver, chamado Alex, que fala inglês. Só ainda não sabemos se é poliglota...
Era fantástico se o fosse! Mas mesmo que não seja já temos a Célia, uma voz portuguesissima que já roda em Mac OS Tiger.
Recentemente pousou em cima da minha secretária um MacBook Pro com um fantástico monitor de 17 polegadas. Um portátil de 17 polegadas, curiosamente mais fino e mais leve que o meu PC de 15 polegadas.
Uma das funcionalidades desta peça de hardware, com a qual nunca me tinha confrontado antes, é o teclado retro-iluminado.
Pressiona-se F8 e como se de um interruptor de um candeeiro se tratasse, o teclado fica com os contornos das teclas e os caracteres nelas afixados em verde fluorescente.
O contraste é excelente para quem tem baixa visão e claro, para qualquer utilizador que necessita de trabalhar num ambiente menos iluminado.
A empresa holandesa AssistiveWare lançou um sistema de vídeo podcast que mostra como as pessoas usam as tecnologias de apoio para comunicar, para expressar a sua criatividade, para jogar jogos de computador e muito mais.
Este podcast mostra que não existem razões para que as pessoas com deficiências físicas, de visão, de fala ou linguagem não usem o mesmo software criatívo e educativo como quaisquer outros utilizadores Mac OS X. Serão disponibilizados, por ano, alguns episódios, cada um dedicado a uma pessoa em concreto.

Marie-France, perdeu a voz e apenas consegue mover um dos músculos das maxilas, no entanto continua a desempenhar um importante papel nas actividades domésticas graças às tecnologias de apoio.
Marie-France perdeu a voz e apenas consegue mexer um músculo da maxila derivado da "Amyotrophic Lateral Sclerosis (ALS) - Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), também conhecida por "Motor Neurone Disease (MND)" (doença motora dos neurónios) ou "Lou Gherigs Disease" - doença de Lou Gherigs.
Neste vídeo de 4 minutos, ela mostra como, com um único manípulo e os programas Proloquo, KeyStrokes e SwitchXS da AssistiveWare, acede ao seu computador PowerBook e comunica com os outros. Ela explica de que forma continua a desempenhar um papel fulcral nas actividades domésticas, fazendo as compras, gerindo as contas bancárias e até mesmo desenhando o seu próprio sítio na Web. A Marie-France vive em París, França.
Consulte o vídeo podcast da AssistiveWare.
Veja o episódio 1:
Dos testes que efectuei com o VoiceOver e com o VisioVoice que o complementa, verifiquei que na leitura de documentos em HTML existem algumas dificuldades, as quais se agravam quanto mais os designers seguem as Directrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web (WCAG) 1.0 do World Wide Web Consortium (W3C).
Uma das regras de prioridade 1 das WCAG prende-se com o facto de termos de marcar todas as mudanças de idioma que ocorrem ao longo de um texto. Este mesmo post segue essas mesmas regras. No meu entender para além de visualmente o texto ficar com um aspecto mais cuidado, são várias as possibilidades de leitura e pesquisa que estes mesmos elementos acrescentam ao documento, não apenas para os agentes de utilizador actuais (nos quais se incluem as ajudas técnicas) mas para os que ainda se irão inventar.
Por exemplo, a frase que se segue:
No próximo dia 27 Setembro de 2006 Joe Clark vem a Portugal dar uma conferência sobre "Web Accessibility: From 0 to 100 in a single day".
tem o seguinte código:
<p>No próximo dia 27 Setembro de 2006 <span lang="en">Joe Clark</span> vem a Portugal dar uma conferência sobre "<span lang="en">Web Accessibility: From 0 to 100 in a single day</span>".</p>Existem inúmeros outros exemplos de marcação inline (em linha) que constituem directrizes de acessibilidade para o W3C. Por exemplo, os acrónimos e as abreviaturas são mais dois dos exemplos a adicionar à lista.
É compreensível e lógico que o VoiceOver faça uma leitura por elementos de HTML, mas na verdade essa lógica torna a leitura aborrecida para as pessoas cegas e constitui uma barreira para as pessoas com baixa visão que usam a janela de ampliação do VisioVoice.
"No próximo dia 27 Setembro de 2006" com um sintetizador de fala em português, e depois ir buscar o sintetizador em inglês para ler "Joe Clark", e logo de seguida ir de novo buscar o sintetizador de fala em português e continuar "vem a Portugal dar uma conferência sobre" e de novo trocar o sintetizador português pelo inglês e ler "Web Accessibility: From 0 to 100 in a single day".
Difícil? Sim, de facto! Agora imaginem com mais do que dois idiomas. É lindo e bem mais claro, para quem está a ouvir. Em Windows, onde o leitor de ecrã JAWS é líder de mercado, ele faz exactamente isso, quando o utilizador dispõe de um sintetizador multilingue, como é o caso do Eloquence. E se a Apple nos trouxesse isto com o Leopard? Fica a sugestão ou o desejo de que seja mesmo verdade, sabendo que mais tarde ou mais cedo isso vai acontecer.
Seria fantástico que o novo sistema operativo Mac OS X Leopard fosse dotado da função de identificação das mudanças de idioma no código HTML e buscasse, no rol de sintetizadores de fala instalados no sistema operativo, o mais apropriado para efectuar a leitura de um determinado elemento.

A lógica de construção do VisioVoice é uma lógica de complementariedade. Faz aquilo que o VoiceOver e o Zoom da Apple não fazem.
Ampliação de Texto: o VisioVoice inclui um Ampliador de Texto (Text Enlarger) que mostra de forma ampliada o título dos botões, dos menus, das áreas de entrada de texto e de todo o texto “acessível”, numa janela à parte. Porque o texto, ele próprio, é ampliado, mais do que a imagem do texto, o texto ampliado fica cristalino e mais fácil de ler. Esta funcionalidade trabalha com todas as aplicações que suportam o chamado Accessibility API da Apple, o que inclui o Safari, o Mail, o Finder, o TextEdit, assim como muitas outras aplicações desenvolvidas por outros fabricantes.
Interface Falante: O Interface Falante (Talking Interface) do VisioVoice faz a leitura dos conteúdos do botões, itens de menu, áreas de entrada de texto, e de todo o texto “acessível”, à medida que o utilizador navega pelo ecrã. Esta funcionalidade trabalha com todas as aplicações que suportam o chamado Accessibility API, incluindo o Safari, o Mail, o Finder, o TextEdit, assim como muitas aplicações desenvolvidas por terceiros.
Cursores Grandes: O VisioVoice inclui cursores-apontadores e cursores de selecção grandes e optimizáveis que tornam a utilização do Mac muito mais fácil aos utilizadores com deficiência da visão.
Leitor de Documentos: o VisioVoice inclui um avançado leitor de documentos com avançadas funcionalidades de leitura com funções de "play", "pause", "stop", avanço e retrocesso rápidos. À medida que lê, ele pode destacar as palavras ou frases. Pode ser usado para ouvir o texto seleccionado em qualquer aplicação ou para ouvir documentos em formato Texto, Word, HTML, PDF e RTF.
Criação de ficheiros de audio e para iTunes: O VisioVoice pode converter documentos em formato Texto, Word, HTML, PDF e RTF para ficheiros áudio ou pistas para o iTunes prontas para utilizar no iPod.
Versões Traduzidas do VoiceOver: o VisioVoice inclui traduções do VoiceOver e do Utilitário do VoiceOver para Francês e Holandês pelo que a partir de agora também os utilizadores que não usam o Inglês podem fazer uso do leitor de ecrã que está incorporado no Mac OS X. Novos idiomas poderão estar disponíveis no futuro.
Vozes Multilingue Infovox iVox naturally-sounding: O VisioVoice vem acompanhado do Infovox iVox, o qual põe à disposição as melhores vozes alguma vez construídas para Mac. O Infovox iVox está disponível para várias línguas, incluíndo: Inglês-americado, Inglês-britânico, Françês, Alemão, Italiano, Holandês, Flamengo, Espanhol, Português, Norueguês, e Sueco.
Extensão de Teclas de Atalho do Sistema: O VisioVoice possibilita uma extensão das teclas de atalho, configuráveis pelo utilizador, à disposição no sistema operativo, tornando as suas funcionalidades principais de mais fácil acesso aos utilizadores cegos e com baixa visão.
Esta semana experimentei a funcionalidade: Criação de ficheiros de audio e para iTunes. Estes últimos são óptimos para ouvir o ficheiro áudio resultante da conversão texto-fala num leitor MP3.
A conversão foi rápida e o resultado pode ser ouvido em:
--- [nota 1] Como utilizador com baixa visão, reconheço a ampliação em ecrã completo que a Apple colocou no seu Mac OS X (Zoom), simplesmente genial. Sou utilizador de ampliadores de ecrã há 20 anos e de todas as formas de ampliação que geralmente um ampliador de ecrã possuí, a única que uso é precisamente a de ecrã completo. Como profissional nesta área nunca encontrei um utilizador que use a funcionalidade: lupa, régua de leitura, ampliação por painéis.
Estava prometido para final de Junho deste ano. 2 meses depois a AssistiveWare lança o VisioVoice. Entre as várias dezenas de sintetizadores nas mais diversas línguas, o VisioVoice pode ser adquirido com voz Portuguesa de Portugal ou com Português do Brasil.
O VisioVoice é vendido a 185 Euros, o que inclui a língua inglesa e a língua portuguesa. Há um pormenor interessante: português é considerado pela Acapela um idioma diferente do português do Brasil, pelo que quem escolher a Célia (Portuguesa de gema) e quiser também a Paola (Brasileira de gema) tem que gastar mais 82 euros e meio. Mas ao comprar a Paola leva também o Carlos que está também incluído no pacote português do Brasil.
Como a AssistiveWare, empresa responsável por este desenvolvimento e que vai vender a nível mundial as vozes da Acapela para Mac, está sedeada na Holanda, acresce a estes valores o IVA de 19%, taxa aplicada a bens considerados ajudas técnicas naquele país.