quarta-feira, maio 26, 2010

Nova versão do Mac OS X: Apple pede testes ao VoiceOver

A Apple enviou esta semana aos seus beta-testers a nova release do 10.6.4 e pede-lhes para concentrarem os seus testes no VoiceOver. Em menos de uma semana, sairam duas releases de teste.

Sem querer adivinhar o que aí vem, I have a feeling!. O VoiceOver do Mac vai ficar mais parecido com o VoiceOver do iPhone. Vêm aí os multisintetizadores para ler na Web!

sábado, maio 08, 2010

Pela primeira vez comprei um livro numa livraria e, ... li-o!

Bradley Hodges da Revista AssistiveWare, da American Foundation of the Blind, passou 24 horas com um iPad e escreveu o artigo "24 Hours with the iPad".

Eis a síntese:

Na minha vida profissional houve dois momentos transformadores, os quais estão associados a ganhos no acesso à palavra impressa. O primeiro ocorreu em meados dos anos 90, quando, enquanto investigador universitário, o meu departamento adquiriu uma impressora braille e acesso à florescente Internet. Certa tarde, um assistente, que trabalhava comigo esporadicamente, deixou cair na minha secretária uma cópia em braille do artigo que fazia capa da Revista Time dessa semana. Pela primeira vez, pude ler o mesmo texto tal como os meus colegas e ao mesmo tempo que eles.

O segundo momento transformador teve lugar na Segunda-feira à noite, 5 de Abril de 2010. Nessa noite, comprei um livro numa livraria, exactamente tal como os meus vizinhos e colegas normovisuais o fazem. Depois, sentei-me no meu gabinete e li esse livro no mesmo dispositivo usado pelos meus pares normovisuais.

Bradley Hodges

sábado, abril 24, 2010

iBookStore: a livraria que mudará o acesso à informação

Foto iPad demonstrando como lê o VoiceOver os ícones

Porque se fala em potencial revolução no acesso aos livros? Logo na data de lançamento (2010) a iBookstore oferece 60,000 títulos. A Amazon conta já com 450,000. 510 mil títulos disponíveis em formatos acessíveis, assim de repente, com tendência a crescer exponencialmente mudará, certamente, os alicerces que potenciam a inclusão em sociedade de pessoas com deficiência. Um clique e 60 segundos depois estaremos a ler.

Enquanto o iPad não chega a Portugal vamos lendo o que se escreve pelo mundo sobre a acessibilidade do dispositivo. Há um consenso relativamente ao conceito UniversallAccess implementado pela Apple. É bom e para quem usa as funcionalidades de apoio incorporadas no Mac e no iPhone/iPod só vai ter surpresas positivas: é igualmente bom e tem disponível mais funcionalidades. Por exemplo, gestos com 4 dedos simultâneos. Haja dedos!!

Uma das perguntas frequentes dos utilizadores com incapacidades, nomeadamente das pessoas com deficiência da visão, pessoas cegas e pessoas com baixa visão, está relacionada com a acessibilidade ao iBook. Está o iBook, a estante de livros, acessível a quem usa tecnologias de apoio?

Diz quem já o usou que sim. A estante de livros é manuseável por quem usa por exemplo o leitor de ecrã VoiceOver, mas vai ainda mais longe. Não só a estante é manuseável como os livros, eles próprios, podem ser ouvidos com o VoiceOver. Segundo Josh de Lioncourt do blogue Mac-cessibility:

A aplicação é completamente acessível, e para mim a leitura de livros é a mais agradável que se encontra disponível neste tipo de dispositivos. A aplicação trazia uma cópia de um dos clássicos de A. A. Mill, Pooh, o qual se lê maravilhosamente com o VoiceOver. Para além disso, todas as ilustrações existentes no livro estão legendadas. Ao tocarmos duas vezes numa página pode ouvir-se a página na totalidade. Ao deslocarmos um dedo pelo ecrã, o VoiceOver lê a linha que está a ser tocada, dando-nos uma agradável experiência de tocar e varrer o texto. Por último, pode-se ler todas as páginas, comodamente, com o comando padrão de pincelar o ecrã com dois dedos para baixo.

Tal como sucedeu com os computadores Mac, aquando da introdução das aplicações de apoio no sistema operativo Mac OS X Tiger, esperamos que o iPad venha, em futuras versões, a suportar a ligação de dispositivos braille. Sim, porque para uma pessoa cega ler é com braille. Com sintetizador de fala não é ler; é ouvir ler.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

iPad Accessibility

iPad - um dos melhores leitores portáteis para pessoas com baixa visão

A primeira geração iPad vem equipada com várias funcionalidade de Acessibilidade, já conhecidas de quem usa Mac e iPhone:

  • Suporte para reprodução de conteúdos com legenda oculta
  • Leitor de ecrã VoiceOver
  • Ampliador Zoom em ecrã completo
  • Alto contraste branco sobre preto
  • Áudio Mono

Na semana passada, numa reflexão com alguns amigos, cheguei à conclusão que para as pessoas com baixa visão o mercado ainda não dispunha de nenhum bloco de notas/leitura com ampliador de caracteres com capacidade de armazenamento e autonomia energética tão bom quanto os blocos de notas portáteis em braille para pessoas cegas. Pois bem!... Acabou de chegar ao mercado a solução... iPad.

Mas pelas especificações técnicas, hoje publicadas, verifico que o português (sistema operativo, teclado) ainda não faz parte do kit de suporte inicial.

"I agree that for the first time in a generation, blind and partially sighted people are beginning to gain access to technology at little or no extra cost than sighted people." Shawn Leamon, RNIB

domingo, janeiro 03, 2010

Apple + Index = Impressão Braille

Página impressa em Braille. Foi produzida com o iBraille em Mac OS X 10.5

Figura 1: Página impressa em braille (grafia braille da língua portuguesa). A produção foi feita recorrendo ao transcritor iBraille, uma aplicação desenvolvida pela Index e a Apple.

Neste Natal apareceu aqui por casa uma impressora braille: a Index Everest D.

Pus-me à procura de um transcritor braille para Mac OS X e, surpresa!! A Apple e a Index, um dos maiores, senão mesmo o maior, fabricante de impressoras braille a nível mundial, desenvolveram o iBraille.

O iBraille foi para mim uma surpresa: é grátis, é simples de usar, funciona bem com o VoiceOver, o leitor de ecrã do Mac, e tem várias tabelas de codificação para a grafia da língua portuguesa. As tabelas têm mesmo a assinatura de dois técnicos portugueses que dominam bem esta matéria: o Fernando Henriques e o Victor Oliveira.

Fiz uns testes e os resultados foram excelentes. O iBraille tem uma técnica de agarrar estilos a determinadas configurações braille o que permite, por exemplo, num mesmo texto usar diferentes tabelas-braille consoante o idioma das palavras ou frases. No Manual de instruções, em inglês, é dado como exemplo prático desta necessidade a produção de um dicionário (por exemplo português - inglês).

Não funciona em Mac OS X Snow Leopard

O manual referencia como requisito o uso do sistema operativo Mac 10.4.4 (Tiger) ou superior. Fiz testes com o Mac OS X Leopard e a aplicação funcionou bem. Já com o Snow Leopard, a última versão do sistema operativo da Apple, o programa instala e funciona, mas quando se solicita uma transcrição para braille, os resultados não aparecem.

domingo, outubro 18, 2009

IPhone App Proloquo2Go: Dar voz a quem não a tem

Brittany depois de um acidente de automóvel que a deixou em coma, recuperou mas não consegue falar. O iPhone é hoje o equipamento que usa para comunicar.

sábado, setembro 19, 2009

Apple publica vídeo explicativo do VoiceOver

A Apple publicou um vídeo tutorial sobre o funcionamento do leitor de ecrã VoiceOver do iPhone

sábado, setembro 12, 2009

iPhone 3GS: um instrumento útil na validação manual da acessibilidade Web

Para quem tem um iPhone 3GS pode, activando o leitor de ecrã VoiceOver que se encontra instalado em todos os dispositivos, confrontar os seus conteúdos Web com as Directrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web (WCAG 1.0) do W3C,

Com ele é possível:

  • verificar se as imagens têm legenda e se a legenda cumpre, realmente, o seu papel de equivalente alternativo a quem, por qualquer razão, não a consiga ver
  • verificar o fluxo de leitura do documento e verificar se o mesmo faz sentido
  • verificar se o documento se encontra com os cabeçalhos marcados e se a sua leitura corresponde a um índice do documento
  • verificar se o idioma principal da página está correcto e se a mudança de idioma ao longo da página está identificada e correcta.
  • verificar se é possível navegar por todas as opções e subopções de um menu principal. Principalmente os que são feitos em javascript
  • verificar se todos as funcionalidades javascript se encontram activas e a funcionar correctamente, nomeadamente se existem alternativas processadas pelo servidor, sempre que a máquina do cliente não as consiga processar.
  • verificar se existem equivalentes alternativos aos elementos Flash
  • (...)

IPhone 3GS passou a suportar uma das mais trabalhosas regras de acessiblidade

Nas Directrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web (WCAG 1.0) existem dois pontos relacionados com a identificação do idioma dos conteúdos. São eles:

4.1 - Identifique claramente quaisquer alterações de idioma no texto de um documento, incluindo os equivalentes textuais (caso das legendas das imagens e de outros elementos). (ponto de verificação de prioridade 1)

e

4.3 - Identifique o idioma principal do documento. (ponto de verificação de prioridade 3

Estes dois pontos de verificação das WCAG 1.0 têm sido, na generalidade, e ao longo da história curta das directrizes de acessibilidade, mal tratados. Mal tratados pelos editores de conteúdos Web mas também pelos produtores de tecnologias de apoio - ajudas técnicas - para pessoas com deficiência.

Quanto à edição Web é raro encontrar conteúdos em que se faça a identificação do idioma principal da página, por sinal um ponto muito fácil, e nada trabalhoso, de implemntar. Basta que a linha que dá início à página HTML use o atributo lang, ou seja, algo como:

<html lang="pt">

Já o ponto de verificação 4.1 é altamente trabalhoso. Marcar todas as palavras e expressões que se encontram em idioma diferente do da página obriga a percorrer, manualmente, todo o documento, e marcar cada um deles. Quando me dizem que a acessibilidade não custa dinheiro e é tão fácil como fazê-lo de forma não acessível, vem-me sempre à memória este ponto. É, no meu entender, de todos os 65 pontos de verificação das WCAG 1.0, o maior consumidor de recursos. E é, ainda por cima, de prioridade 1,

Mas, se do lado da edição de conteúdos ninguém respeita estes dois pontos, principalmente o 4.1, do lado da produção de agentes de utilizador, nomeadamente de tecnologias de apoio, a cohabitação com estas regras não tem sido fácil. Os leitores de ecrã têm liderado o tema e vindo a introduzí-lo progressivamente. No entanto, mesmo estes, ainda hoje o fazem de forma rudimentar no caso do braille e mesmo no caso da síntese de fala. Para a síntese de fala, não existe, para português europeu, um multi-sintetizador, barato, que desempenhe a tarefa rapidamente e eficazmente. Mesmo quem tenha hipótese de dotar o seu PC com um multi-sintetizador de qualidade, vai reparar que a máquina tem dificuldade em gerir tantos sintetizadores em simultâneo.

Com a actualização do sistema operativo para o iPhone 3GS, que ocorreu no início desta semana, a Apple introduziu a leitura de ecrã com base em multi-sintetizadores. E na leitura de páginas Web, o VoiceOver - leitor de ecrã que acompanha o equipamento de origem, passou a suportar os dois pontos de verificação das WCAG 1.0 citados neste post. Ou seja, quando passo de uma página portuguesa para uma francesa, o VoiceOver passa, "automaticamente" a ler em Francês. Quando regresso à página Portuguesa, passa a ler em português e mais... Quando leio uma página que contém expressões em idiomas diferentes do principal dessa página, o VoiceOver passa, automaticamente, de um sintetizador para o outro. Podem experimentar na leitura das páginas do Programa ACESSO da UMIC ou na página da Fundación SIDAR. Uma maravilha! O desempenho do VoiceOver é notável, a passagem é natural e imediata. E parece-me que tenho não um, nem dois, mas várias dezenas de sintetizadores a trabalhar em simultâneo. Mas só funciona quando quem editou os conteúdos cumpre as 2 regras de acessibilidade.

Notei, no entanto, aquilo que me parece um bug. Parece-me porque ainda estou a investigar junto do W3C como deve ser interpretado o código de idioma 'pt'. Como português europeu (pt-PT) ou português do Brasil (pt-BR)? A Apple interpreta-o como português do Brasil (pt = pt-BR) e coloca a Márcia a ler o texto em vez da nossa Maria. Oh, meus amigos! Isto não é a Selecção Nacional! :-)

O iPhone revela-se, hoje, um dispositivo altamente potente na validação manual da acessibilidade dos conteúdos Web. E para quem tem um, para o usar como validador não precisa de comprar nada adicional.

sábado, agosto 29, 2009

Mais acessibilidade: Mac OS 10.6.

Já está disponível o novo sistema operativo para computadores Apple: o Mac OS X (10.6).

Destaco como principal novidade, a possibilidade de executar comandos no leitor de ecrã, desenhando gestos no trackpad do rato dos computadores portáteis. Algo que já experimentei no iPhone e que reconheço ser bastante potente em operações de leitura, como é o caso da leitura de páginas web.

Quanto à existência de sintetizador de fala em Português de série, ainda não percebi se é, ou não, uma realidade. Mas a empresa holandesa, AssistiveWare, lançou hoje também a versão 1.2 do Infovox iVox, ainda não compatível com este novo sistema operativo, mas que promete sê-lo nas próximas semanas. Para além da voz portuguesa de alta qualidade Célia, o pacote dispõe ainda das vozes brasileiras Carlos e Paola. E uma voz brasileira nova: a Márcia.

Na própria página da Apple encontram uma síntese das funcionalidades em Portugues:
http://www.apple.com/pt/macosx/accessibility/