domingo, setembro 05, 2010

Geração 4 do IPod Touch incrementa acessibilidade

IPod Touch: um MP3 revolucionário para pessoas com deficiência da visão

O iPod Touch é, para mim, a melhor peça de hardware portátil que a Apple tem no mercado [actualização a 6 de setembro de 2010: hoje ao ler a MacRumors verifiquei que iPhone e iPod Touch representam cerca de 80% do mercado dos dispositivos com o iOS, o que corrobora a minha afirmação, o primeiro com cerca de 60 milhões de unidades vendidas e o segundo com 48 milhões; a pergunta será: quando é que as vendas do iPod Touch irão ultrapassar as do iPhone?]. Uma autonomia de fazer inveja ao iPhone; um ecrã que envergonha o novo iPod Nano; capacidades de fotografia e vídeo que o colocam à-vontade no segmento das micro-máquinas de fotos/vídeo que proliferam no sector; capacidade de processamento que fazem dele uma interessante máquina portátil de jogos; e, claro, cabe no bolso da camisa onde o iPad tem dificuldade em entrar.

Na área da acessibilidade e das necessidades especiais, ele oferece:

  • Leitor de ecrã para "todas" as suas aplicações em Português Europeu e Português do Brasil de alta qualidade. Isto apenas para citar 2 dos 25 idiomas que vêm com ele de fábrica.
  • Com o leitor de ecrã, o controlo do calendário, da calculadora, do cronómetro, do relógio, da discografia, dos audiolivros, e até da máquina fotográfica e da câmara de vídeo é possível.
  • Navegação em páginas Web com multisintetizador, ou seja, recorrendo às regras de acessibilidade do W3C, o leitor de ecrã detecta o idioma e lê a página com o respectivo sintetizador.
  • Alto Contraste de alta qualidade branco sobre preto.
  • A ampliação de caracteres é fabulosa, embora difícil de manusear dado que é preciso usar 3 dedos em simultâneo para executar os diversos comandos de ampliação.
  • O uso da voz para dar comandos ao iPod também é possível. A minha experiência com o iPhone não tem sido muito proveitosa na manipulação desta funcionalidade mas acredito que possa ser falta de experiência da minha parte (já há cerca de um ano que deixei a minha impressão sobre esta funcionalidade aqui no blogue).
  • Graças ao FaceTime via Wi-Fi, às câmaras de vídeo posicionadas atrás e à frente do dispositivo, vai ser possível estabelecer comunicações de vídeo via Wi-Fi entre 2 iPods Touch ou entre 1 iPod Touch e 1 iPhone. Assim, vai ser possível estabelecer uma chamada em língua gestual, pelo menos teoricamente. Veremos se na prática será eficaz. O novo iPod Touch chega mesmo a ter um motor que provoca a vibração do dispositivo quando toca.

Permitam-me, no entanto, destacar o acesso à literatura que o novo iPod Touch permite a pessoas com deficiência da visão. Usualmente são 3, os métodos que actualmente estou a usar no iPhone para o efeito e que podem ser replicados neste novo iPod:

  • Através do programa VisioVoice para Mac OS X, é possível converter qualquer livro que esteja em txt, rtf, doc ou PDF em áudio. Para o efeito, o VisioVoice, da empresa holandesa AssistiveWare, usa o sintetizador de fala Célia - Português de alta qualidade - e cria um ficheiro directamente no iTunes. O segundo passo consiste na ligação do iPod via USB e aguardar a sincronização. Feita a sincronização o livro está no iPod pronto para ser lido. Em Windows isto é igualmente possível desde que se faça chegar o ficheiro áudio ao iTunes.
  • Mas, agora é ainda mais fácil ler um livro no iPod. Já não é preciso o trabalho de converter o ficheiro de texto em áudio (por exemplo com o VisioVoice era usual demorar umas 3 horas para converter um livro como o Codex 632, do José Rodrigues dos Santos, de cerca de 600 páginas, para o qual dispusesse, claro, do texto digital). O próprio iPod faz isso sozinho. Com a aplicação iBooks da Apple, disponível gratuitamente, basta ir à iBookstore e comprar o livro. Se tivermos um ficheiro PDF com o livro ou com texto que pretendemos ler, basta copiá-lo para o iTunes. Na próxima sincronização com o iPod o ficheiro passa para o dispositivo. Para o ler, basta apontar com o dedo e o livro começa a ser lido. No caso dos livros vindos da iBookstore, a página do livro é virada automaticamente e a leitura prossegue até que a mandem parar. No caso de ficheiros PDF é necessário ser o utilizador a virar a página e voltar a apontar a próxima página para que esta seja lida. Neste último caso, o leitor de ecrã não permite a leitura de parágrafos individuais. Relativamente à iBoostore também não encontro muita literatura contemporânea em língua portuguesa. Isso só será mais usual quando o iPad for lançado em Portugal.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Após 6 gerações o iPod nano introduz leitor de ecrã de raíz

iPod Nano 6ª Geração

A 6ª geração do iPod Nano, hoje lançada, tem novidades face ao seu antecessor no que diz respeito a acessibilidade para pessoas com deficiência da visão:

  • leitor de ecrã VoiceOver com 29 idiomas, incluíndo o português (com variante Portugal e variante Brasil)
  • alto contraste branco sobre preto
  • não existe Zoom, o que se compreende dada a dimensão reduzida do ecrã de 3.8cm na diagonal

Outros dados de interesse:

  • bateria para 24 horas a tocar música
  • pesa 21 gramas
  • O nano é um pequeno rectângulo de 4.1 cm de largura por 3.8 cm de altura. A espessura do dispositivo é de cerca de 70 milímetros

Uma particularidade que achei interessante: o novo Nano tem rádio FM incorporado com a nuance de se poder fazer pausa e ouvir os últimos 15 minutos da emissão já passados. Um gadget que por vezes permite ouvir o que em circunstâncias normais já se tinha perdido.

sábado, julho 03, 2010

User Satisfaction when reading: iPad Loved, PCs Hated

iPad, Kindle, and the printed book all scored fairly high at 5.8, 5.7, and 5.6, respectively. The PC, however, scored an abysmal 3.6.

Most of the users' free-form comments were predictable. For example, they disliked that the iPad was so heavy and that the Kindle featured less-crisp gray-on-gray letters. People also disliked the lack of true pagination and preferred the way the iPad (actually, the iBook app) indicated the amount of text left in a chapter.

source: AlertBox 2 July 2010.

sábado, junho 26, 2010

iPhone: a blind notetaker 14x cheaper

The strong of Universal Access concept

Ainda recentemente ao ler o CBI White Paper verifiquei que o Sr. Blazie, criador dos famosos, mesmo em Portugal, blocos de notas para pessoas cegas, integrou em 2008 a equipa fundadora do Center for Braille Innovation da National Braille Press, grupo que tem por missão impulsionar o braille na Era Digital. Um dos objectivos passa por disponibilizar um bloco de notas para pessoas cegas a 1/3 do preço dos actuais, ou seja, pelas contas do próprio grupo, algo como 1/3 de 6 mil dólares. Segundo o mesmo relatório "(...) o custo das tecnologias de apoio para as pessoas cegas é, em média, 900% superior ao dos produtos similares existentes para pessoas normovisuais."

Fui então fazer umas contas, a preços de hoje, comparando o conceito de bloco de notas em que o iPhone 3GS se transformou, quando se lhe adiciona um teclado QWERTY Apple sem fios, com o mesmo conceito actualmente oferecido pelo mercado das tecnologias de apoio. Para este último, escolhi o que de melhor o mercado das tecnologias de apoio oferece: o Pac Mate QX400, um bloco de notas da FreedomScientific com teclado QWERTY, sem linha braille, e com sintetizador de fala, ou seja, exactamente o que o iPhone 3GS oferece.

iPhone, a blind notetaker 14x less than equal assistive technology offer
Apple Universal Access Solution Assistive Technology Solution
iPhone + Teclado Apple sem fios Bloco de notas Pac Mate QX400 da FreedomScientific
$168 $2395
  • 1 iPhone 3GS (8GB) = $99
  • 1 Teclado Apple sem fios = $69
  • total da solução = $168 (preços Apple Store)
1 Pac Mate QX400 = $2395 (preços FreedomScientific)

A solução iPhone+Teclado Wireless é 14x mais barata que a solução preconizada pelo mercado das tecnologias de apoio. Ou seja, uma pessoa cega paga por um bloco de notas "similar" ao existente no mercado mainstreaming, não 900% como aponta o Center for Braille Innovation, mas 1400% a mais, e não estamos a falar da variável braille. Com esta variável e tomando como referência os blocos de notas da mesma marca temos de despender 22x mais se quisermos uma linha de 20 células braille (modelo QX420) e 33x mais se quisermos uma linha com 40 células braille (modelo QX440).

Tem de haver uma maneira da Apple vir a fazer linhas braille. :-) How and Why?

terça-feira, junho 22, 2010

iPhone entra na categoria dos blocos de notas para pessoas cegas

Um teclado, um iPhone, VoiceOver ligado e temos um bloco de notas ultraportátil Braille 'n Speak 2000

Desde a introdução do leitor de ecrã VoiceOver no iPhone, que aconteceu há cerca de um ano atrás com o iPhone 3GS, que sempre considerei que a operação mais difícil de controlar, para uma pessoa cega no uso de um telefone sem teclas, é a escrita. Os teclados QWERTY tácteis não são fáceis de controlar por quem não o consegue ver. É preciso ser um utilizador experiente e mesmo assim a tarefa, possível, nem sempre é fácil.

Desde o lançamento do novo sistema operativo, o iOS 4, ontem, 21 de Junho 2010, que passou a ser possível emparelhar um teclado físico com o iPhone através de Bluetooth.

Para quem conheceu o Type 'n Speak (da família do Braille 'n Speak) da Blazie Engineering nos meados dos anos 90, um bloco de notas ultraportátil com teclado QWERTY e sintetizador de fala direccionado para pessoas com deficiência da visão, o que agora é possível com o iPhone é similar. O teclado, é um normal teclado QWERTY da Apple e o sintetizador de fala é de altíssima qualidade.

Imagine: iPhone no bolso, VoiceOver ligado, auricular no ouvido, teclado no colo e aí está ... um bloco de notas ultraportátil, capaz de fazer enveja a muitos blocos de notas para pessoas cegas que o mercado das tecnologias de apoio há já muitos anos oferece mas a preços altamente elevados.

Usei-o com a aplicação "Mensagens" e "Notas", esta última ideal para tirar apontamentos durante uma reunião, e o resultado é fantástico. A sensação é a de autêntico filme de ficção científica. Escrever num teclado com uns 50 milímetros de espessura, com teclas iguais a um teclado de um computador portátil, sem fios, que nos dá a hipótese de reler todo o texto sem qualquer ecrã visível.

O próximo passo será seguramente a introdução de dispositivos braille e um conjunto mais alargado de comandos de navegação pelas diversas aplicações do "telefone" usando apenas o teclado.

quinta-feira, junho 10, 2010

iBooks em Portugal já no dia 21 Junho mas não no iPad

Aproximando-se da mesma lógica de distribuição de eBooks da Amazon, a Apple abre a leitura de livros aos diversos dispositivos da marca, mas ainda não à família de computadores Mac. Ao iPad vai juntar-se o iPod Touch e o iPhone. Isso ocorrerá no próximo dia 21 de Junho com a disponibilização, grátis, do novo sistema operativo iOS 4.

Em termos de acessibilidade, para quem tenha o iPhone 3GS e o iPhone 4, lançado esta semana mas que só chegará a Portugal lá para Setembro, há nesta abordagem uma boa novidade. Sem iPad à venda em Portugal, no caso das pessoas cegas, portuguesas, vão poder usar o iPhone 3GS para ler, com o sintetizador de fala incorporado em português europeu de alta qualidade e com os diversos sintetizadores nos mais diversos idiomas. Já para pessoas com baixa visão, a leitura dos livros que estão disponíveis na iBookStore poderão ser lidos com o iPhone 3GS e com o iPod Touch. Fica por testar como funciona a ampliação de caracteres destes livros.

A Apple incorporou também esta semana, nesta mesma lógica de distribuição, os livros em formato PDF.

quarta-feira, junho 09, 2010

Safari 5: primazia à leitura em HTML

printscreen do site da ACESSO sem o Reader. É possível observar as 3 colunas de informação.
printscreen do site da ACESSO com o Reader activo. O Reader concentra-se na coluna central do site

figura: em cima temos um printscreen da primeira página do programa ACESSO da UMIC na sua visualização normal. Em baixo podemos observar um printscreen da mesma página mas com o Reader activo. Verifica-se que o Reader eliminou o cabeçalho e as colunas laterais e mostra apenas o conteúdo da coluna de notícias em destaque que se encontra ao centro. Como é que o Reader faz esta filtragem "inteligente"? Fica a dúvida para mais desenvolvimentos futuros...

Com o Safari 5, a Apple inaugura a funcionalidade: Reader. Dos testes que fiz (ver imagens anteriores), o Reader "analisa" a página Web e consegue perceber onde está o conteúdo principal da página, disponibilizando, quando a detecção é bem sucedida, um botão com a designação Reader logo à frente da linha onde se encontra o URI.

O Reader dispõe de funcionalidade de ampliação com o respectivo realinhamento das linhas, de forma a que o texto fique sempre visível no ecrã sem necessidade de se efectuar varrimentos horizontais. Verifiquei também que o Reader é bom para imprimir texto em caracteres ampliados. Para além da impressão do texto, o Reader dispõe ainda da função de envio do texto por correio electrónico. O texto enviado ou impresso é filtrado naquilo que o Reader "considera" fundamental.

Dizem as más-línguas :-) que esta funcionalidade visa pressionar os editores de conteúdos online a entrar no novo modelo de negócio de publicidade online que a Apple inventou: o iAds [ver o artigo How Apple's new ad-blocker could save the media (maybe)]. E isto porque o Reader "elimina" tudo o que é "supérfluo" e concentra-se apenas nos textos. A publicidade é um dos elementos que geralmente fica filtrada com este novo processo. Chatice!... :-)

Para já, para quem lê, a eliminação de elementos supérfluos é útil para a leitura de textos, nomeadamente para a leitura de artigos. Para quem tem baixa visão ou lê os conteúdos com leitor de ecrã esta filtragem "inteligente" é fantástica.

sábado, junho 05, 2010

Vídeo Tutoriais Apple sobre acessibilidade

fotografia do desktop Mac mostrando a linha braille

Fotografia do Desktop do Mac mostrando o pormenor da visualização da linha braille. No vídeo é demonstrado a facilidade com que o sistema operativo Mac OS X responde de imediato a uma linha Braille que é ligada ao computador através de uma porta USB. Todo o texto que é visível na linha braille (periférico físico) é igualmente representada graficamente no ecrã em braille surgindo por debaixo a transcrição respectiva em texto a negro. Isto permite a um normovisual acompanhar a leitura de uma pessoa cega.

3 vídeos Apple que mostram:

quarta-feira, maio 26, 2010

Nova versão do Mac OS X: Apple pede testes ao VoiceOver

A Apple enviou esta semana aos seus beta-testers a nova release do 10.6.4 e pede-lhes para concentrarem os seus testes no VoiceOver. Em menos de uma semana, sairam duas releases de teste.

Sem querer adivinhar o que aí vem, I have a feeling!. O VoiceOver do Mac vai ficar mais parecido com o VoiceOver do iPhone. Vêm aí os multisintetizadores para ler na Web!

sábado, maio 08, 2010

Pela primeira vez comprei um livro numa livraria e, ... li-o!

Bradley Hodges da Revista AssistiveWare, da American Foundation of the Blind, passou 24 horas com um iPad e escreveu o artigo "24 Hours with the iPad".

Eis a síntese:

Na minha vida profissional houve dois momentos transformadores, os quais estão associados a ganhos no acesso à palavra impressa. O primeiro ocorreu em meados dos anos 90, quando, enquanto investigador universitário, o meu departamento adquiriu uma impressora braille e acesso à florescente Internet. Certa tarde, um assistente, que trabalhava comigo esporadicamente, deixou cair na minha secretária uma cópia em braille do artigo que fazia capa da Revista Time dessa semana. Pela primeira vez, pude ler o mesmo texto tal como os meus colegas e ao mesmo tempo que eles.

O segundo momento transformador teve lugar na Segunda-feira à noite, 5 de Abril de 2010. Nessa noite, comprei um livro numa livraria, exactamente tal como os meus vizinhos e colegas normovisuais o fazem. Depois, sentei-me no meu gabinete e li esse livro no mesmo dispositivo usado pelos meus pares normovisuais.

Bradley Hodges