sábado, abril 09, 2011

Apple TV acessível para pessoas cegas

Apple TV - 2ª geração com VoiceOver

No último número da revista AccessWorld, Joe Strechay começa assim o seu artigo sobre a nova Apple TV:

I've turned on my TV and cable box, and now what do I do? Can I access the menu, guide, or on-demand features? Is the cable box accessible? Not really! Comcast allows you to adjust the size and contrast of the text in the menu guide, but without speech or voice overlay I wouldn't call it accessible—not even for persons with low vision. --Joe Strechay

Em síntese, a 2ª geração da Apple TV permite:

  • menu, guia de programas e todas as funcionalidades acessíveis via leitor de ecrã (VoiceOver). Por enquanto ainda só com síntese de fala e sem braille.
  • o Zoom não equipa ainda o dispositivo, o que deixou admirado Stretchay, uma vez que o Zoom costuma aparecer primeiro que o VoiceOver. Não foi o caso da Apple TV.

Mais uma vez, o mote está lançado: incorporar as funcionalidades de acessibilidade em dispositivos mainstream de recepção de TV. Aqui pela Europa, a Inglaterra é o país em que os operadores televisivos têm uma oferta de set-top boxes acessíveis para pessoas DV. Operadores como a Sky têm bem presentes os dados de caracterização da população inglesa com problemas de visão:

Quase 2 milhões de pessoas no Reino Unido têm problemas de visão. Todos os dias, cerca de 100 pessoas iniciam um processo de perda da visão sendo previsível que em 2050 o número de pessoas com problemas de visão seja o dobro do actual.

Eis alguns exemplos dessa oferta existente no Reino Unido:

quarta-feira, abril 06, 2011

ZoomReader está a chegar ao iPhone [actualização: já chegou!]

Funciona como lupa para quem tem baixa visão. Funciona como leitor para quem é cego. É um verdadeiro canivete suíço para quem tem deficiência da visão.

Ainda não está disponível na App Store mas já tem preço: 19.99 dólares.

Mais informações: Ai Square.

Custa 15,99 euros e está disponível no iTunes.

segunda-feira, março 28, 2011

A Apple anda a explorar sistemas avançados para a educação de estudantes com incapacidades

Diagrama: um servidor central disponibiliza o mesmo conteúdo em caracteres ampliados, em fala sintetizada e em braille

O Gabinete de Marcas e Patentes Norte-Americano revelou na semana de 3 de Março 2011 a existência de uma nova patente Apple intitulada "External Content Transformation."

O conceito "gracefully transformation" ou em português "Transformação Harmoniosa" de conteúdos é algo que deriva das WCAG 1.0 do W3C e que dá forma a 12 das 14 directrizes de acessibilidade que compõem as Directrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web.

Fonte: Neil Hughes. (3 Março 2011). Apple exploring advanced system for educating students with disabilities. AppleInside.

domingo, março 27, 2011

Ecrãs hápticos: será que o Braille vai chegar ao mainstream?

actualização 18 fevereiro 2013: A keyboard that rises up from flat touch screens | um exemplo de ecrã háptico para final de 2013 / início de 2014. No final do artigo é feita a pergunta a uma pessoa cega o que achou da sensação. A resposta foi "awesome!" (i.e. fantástico!).

Recentemente, numa conferência sobre Braille, de Louis e do seu sistema, inventariei a tese de que, no que se refere às TIC, o sistema braille estava em desvantagem face à síntese de fala, porque ao contrário desta, aquele não tinha alcançado a "sorte" de ter sido, ainda, incorporado numa tecnologia mainstreaming.

fotografia de um protótipo de um robot que usa músculos artificiais. O pormenor do seu rosto mostra feições de ser humano

A Ciência surpreende-nos diariamente e parece que há motivos para pensar que este cenário será alterado.

A "Artificial Muscle", uma empresa sedeada em Sunnyvale na California, está a desenvolver motores de base-EAP concebidos para se comportarem como se se tratassem de ecrãs hápticos, os quais respondem quando são tocados. Eles fornecem um retorno táctil para telemóveis, ratos de computador e ecrãs de toque, produzindo um leque de sensações diferenciadas quando estão em contacto com as pontas dos dedos do utilizador. Eles podem, por exemplo, produzir a sensação táctil de se pressionar um botão do mundo real quando na verdade se está a pressionar um botão no ecrã de toque.

Segundo Andy Chen da Artificial Muscle, os primeiros "músculos artificiais" vão ser usados para produzir o já tradicional sistema de vibração dos telemóveis. Segundo ele, esta aplicação da tecnologia chegará ao mercado já em Maio instalado no iPhone. iPhone 5 acrescento eu [actualização 22 dezembro 2012: pelos vistos a tecnologia ainda não chegou!].

fonte: NewScientist. 17 de Março de 2011.

domingo, janeiro 30, 2011

Leitura de livros em iPhone: o que proporcionam as apps para pessoas com baixa visão

Das 4 aplicações em análise, (nota 1) para leitura de livros em iPhone, a portuguesa "Leya" é a que proporciona tamanhos de letra mais fraquinhos; funcionalidade indispensável para que este tipo de aplicação seja útil para pessoas com baixa visão.

Stanza proporciona 3 vezes mais ampliação que Leya

Leya: 1 (base); Kindle: 1,3; iBooks: 3; Stanza: 3

figura: stanza e iBooks proporcionam 3 vezes mais ampliação que o máximo da Leya. Entre Stanza e iBooks, a Stanza revela-se mais fluída quando colocada na ampliação máxima.

Em termos de compatibilidade com o leitor de ecrã VoiceOver, que permite a leitura dos livros a pessoas cegas através de sintetizador de fala e/ou de dispositivo braille, apenas a iBooks, da Apple, é totalmente compatível. Das outras 3 aplicações, a portuguesa "Leya" é a que está mais próxima da iBooks, sendo possível ler uma página do livro com o sintetizador de fala mas não é possível virar as páginas.

Das duas aplicações que proporcionam tamanhos de texto mais generosos, a Stanza bate a própria aplicação da Apple. A aplicação iBooks apresenta, imagine-se, dificuldades de processamento (isto usando um iPhone 3GS) no nível de ampliação máximo (nas figuras abaixo apresentam-se fotografias dessa ampliação).

Para quem tem baixa visão, a melhor solução é mesmo a Stanza. Para quem é cego, a melhor aplicação é mesmo a iBooks.

É uma pena que o acesso aos conteúdos esteja ainda segmentado por aplicação. Esta estratégia não permite aos utilizadores a escolha da aplicação que melhor se lhe adequa, Inclusivamente, para o caso da literatura portuguesa, sucede que as 2 empresas que proporcionam melhores conteúdos (Leya e Amazon) são as que têm as aplicações com os tamanhos de letra mais fraquinhos. As que têm os tamanhos de letra mais generosos (Stanza e iBooks) são as que têm os conteúdos mais fraquinhos (quase sempre literatura do século XIX).

À pergunta: das duas que têm os melhores conteúdos em português, se o conteúdo que pretendes existir em ambas as plataformas, qual é a que escolhes? Claramente, Amazon! Porquê? Porque com uma só compra podes ler o livro em iPhone, em iPad e inclusivamente no PC. Na Leya, se compras para ler em IPhone não o podes ler em PC.

Observações das 4 aplicações iPhone em análise
Aplicação (tamanho de letra máximo) Funcionalidades para pessoas com baixa visão

Stanza

Foto mostrando um texto com a ampliação máxima proporcionada pela app Stanza
  • Fabricante: Loxcycle
  • Actualização: 26 de Junho 2010
  • Excelente nível de ampliação [3 x max (Leya)]
  • Realinha texto de acordo com a dimensão do ecrã e hifeniza automaticamente (formato ePub)
  • Alto contraste incorporado

iBooks

Foto mostrando um texto com a ampliação máxima proporcionada pela app iBooks
  • Fabricante: Apple
  • Actualização: 15 de Dezembro 2010
  • Excelente nível de ampliação [3 x max (Leya)]
  • Realinha texto de acordo com a dimensão do ecrã e hifeniza automaticamente (formato ePub)
  • Alto contraste não incorporado (pode-se recorrer ao alto contraste do iOS)

Kindle

Foto mostrando um texto com a ampliação máxima proporcionada pela app Kindle
  • Fabricante: Amazon
  • Actualização: 20 de Janeiro de 2011
  • Nível de ampliação médio [1,3 x max (Leya)] (muito difícil para ser usado por pessoas com acuidade visual inferior ou igual a 1/10)
  • Realinha texto de acordo com a dimensão do ecrã e hifeniza automaticamente (formato ePub)
  • Alto contraste incorporado

Leya

Foto mostrando um texto com a ampliação máxima propocionada pela app Leya
  • Fabricante: Leya MediaBooks
  • Actualização: 21 de Outubro 2010
  • Nível de ampliação fraquinho (não serve pessoas com baixa visão)
  • Realinha texto de acordo com a dimensão do ecrã (formato ePub)
  • Alto contraste não incorporado (pode-se usar o alto contraste proporcionado pelo iOS)

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[nota 1]: Na presente análise foram utilizadas as aplicações: Kindle da Amazon, Leya da portuguesa Leya MediaBooks, iBooks da Apple e Stanza da Loxcycle. Na análise utilizou-se um participante com baixa visão (visão tubular com acuidade visual de 1/10); apenas se fez testes ao formato ePub (o comportamento das aplicações com formatos PDF é diferente - geralmente não proporcionam o realinhamento do texto nem a hifenização).[fim de nota] voltar ao texto.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

E se o teclado se transformar em rato?

Teclado QWERTY cuja superfície se transforma em trackpad

O conceito consiste em transformar o teclado num gigantesco trackpad - aquela superfície que existe num rato de um computador portátil, com a qual controlamos o ponteiro do rato com um dedo. Agora, imagine que em vez de pressionar as teclas, varre a superfície das mesmas e obtém o mesmo resultado que com o trackpad.

Segundo a patente Apple em que o conceito é descrito, isso é possível graças a 4 câmaras, ou talvez mini-câmaras, instaladas no próprio teclado e que monitorizam todos os movimentos que as mãos fazem em cima do teclado. Nos actuais teclados Apple, os quais são bastante planos mas cujas teclas são perfeitamente visíveis ao tacto, o conceito de varrer a superficie das teclas fica bem mais claro do que num teclado tradicional em que as teclas são bastante mais altas.

No essencial, é transformar um Magic TrackPad já de si com uma superfície generosa, em algo ainda maior. Com ele poderá surgir uma nova forma de pessoas cegas controlarem um leitor de ecrã através de gestos cada vez mais complexos.

domingo, janeiro 23, 2011

Depois dos ecrãs de toque, what's next? Ecrãs de toque hápticos.

Mighty Mouse com Keypad Virtual

Futuro Mighty Mouse da Apple - fonte: MacRumors.com

Para um profissional de contabilidade, para além de outros, o teclado numérico - Keypad (ver figura acima) é indispensável. No caso dos computadores portáteis é usual adquirir-se um keypad para ligar à máquina.

E se esse teclado estiver instalado no rato? Essa é a proposta da Apple com o "Mighty Mouse com teclado numérico virtual". Virtual? Sim, o teclado numérico é apresentado num ecrã de toque posicionado na parte superior do rato.

Um teclado numérico posicionado num ecrã de toque em cima de um rato? Mas os contabilistas estão habituados a socorrer-se do seu mapa mental e a digitar os números no keypad sem olhar para ele. Como é que o contabilista vai tactear as teclas desenhadas num ecrã plano?

A resposta está nesta interessante patente: "Method and apparatus for localization of haptic feedback" (U.S Patent registada no dia 20 de Janeiro 2011).

Parece-me que ainda vamos ouvir falar muito em ecrãs de toque hápticos, porque há mais interacção para além da que é proporcionada pela visão.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

GPS para iPhone: a NDrive deveria aceitar o desafio

No artigo Mobilidade Independente: GPS no seu iPhone (artigo em inglês) da AccessWorld de Dezembro 2010, Bradley Hodges, deixa-nos uma análise a duas aplicações para iPhone que fazem uso do GPS e disponibilizam informações para uso em orientação e mobilidade de pessoas cegas. As aplicações TomTom e Navigon estão totalmente acessíveis ao leitor de ecrã VoiceOver que incorpora o iPhone 3GS e 4.

A empresa portuguesa NDrive deveria de ler isto. Infelizmente a aplicação que a NDrive disponibiliza para o iPhone é completamente incompatível com o leitor de ecrã VoiceOver. Fica aqui uma sugestão: (1) tornar a aplicação compatível com o VoiceOver; (2) dotar a aplicação de uma versão para uso por pedestres e (3) disponibilizar como pontos de interesse o mapeamento das caixas Multibanco que dispõem de funcionalidades de acessibilidade para pessoas com Deficiência da Visão. E pergunta o leitor: e em Portugal existem caixas multibanco com funcionalidades de acessibilidade para pessoas com deficiência da visão? Sim, desde 1998. Pressione a tecla 5, depois de marcar o código, e veja o que acontece à interface da caixa multibanco.

sábado, dezembro 11, 2010

Controlo do VoiceOver em iPhone com o teclado QWERTY wireless da Apple

foto que mostra um teclado qwerty wireless e um iPhone 3GS

Em Junho de 2010 anunciei aquela que era a entrada da Apple no segmento dos blocos de notas para pessoas cegas ou com baixa visão, tendo demonstrado o poder do conceito de Desenho Universal, prática estratégica da Apple, e inclusivamente, depois de umas contas, ter chegado à conclusão que ele representava uma poupança de 14 vezes.

O controlo do VoiceOver no iPhone através do teclado wireless é uma opção que foi amplamente melhorada na versão 4.2 do iOS. Na informação sobre as melhorias diz-se que agora é possível controlar o VoiceOver nas diversas aplicações do iPhone a partir do teclado. Fiz alguns testes e de facto confirma-se que o controlo melhorou muito. Rapidamente, mesmo sem consultar o manual foi possível descobrir algumas teclas de comando mas fiquei pendurado com um comando: qual é a tecla de atalho que me permite executar a função que está agarrada ao botão "iniciar"? Foi isso que me fez procurar na Internet as teclas associadas aos diversos comandos. Descobri a resposta para a minha pergunta e muitos outros comandos cuja listagem, depois de alguma ordenação, deixo abaixo.

Comandos de teclado para controlo do VoiceOver em dispositivos com o iOS 4.2 (iPhone, iPod, iPad)

nota: a abreviatura VO usada abaixo refere-se às teclas Controlo-Opção

Leitura, navegação e execução de elementos

  • Ler tudo, iniciando a leitura a partir da posição actual: VO-A
  • Ler desde o topo: VO-B
  • Ir para a barra de estado: VO-M
  • Pressionar o botão Iniciar/Home: VO-H
  • Seleccionar o elemento seguinte ou o elemento anterior: VO-Seta Direita ou VO-Seta Esquerda
  • Dar um toque num elemento (i.e. executar o elemento): VO-Barra de Espaço
  • Dar dois toques com dois dedos: VO-"-" (nos testes que fiz no iPhone este comando resulta em toca/pausa música actualmente seleccionada no iPod)
  • Voltar ao ecrã anterior: Escape

Manipulação do Rotor que controla a Fala

  • Escolher o elemento seguinte ou o elemento anterior do rotor: VO-Comando-Seta Esquerda ou VO-Comando-Seta Direita
  • Ajustar o parâmetro do elemento no rotor: VO-Comando-Seta Cima ou VO-Comando-Seta Baixo
  • Ajustar o volume da fala no rotor: VO-Seta Cima ou VO-Seta Baixo

Ocultar ecrã e ocultar VoiceOver

  • Tornar o VoiceOver audível e silencioso: VO-S
  • Activar e Desactivar a cortina de ecrã: VO-Shift-S

Ajuda

  • Activar ajuda VoiceOver: VO-K
  • Desactivar a ajuda VoiceOver: Escape

Navegação Rápida

A navegação rápida permite navegar pelos diversos elementos com as teclas de seta esquerda e direita sem necessidade de usar a combinação Controlo+Opção (i.e. VO). Verifiquei que por defeito esta opção está activa [ao contrário do que está escrito no manual].

  • Activar/Desactivar Navegação Rápida: pressionar em simultâneo a Seta Esquerda e a Seta Direita
  • Seleccionar o elemento seguinte ou o elemeno anterior: Seta Direita ou Seta Esquerda
  • Seleccionar o elemento seguinte ou o elemento anterior especificado pelo rotor: Seta Cima ou Seta Baixo
  • Seleccionar o primeiro ou o último elemento: Controlo-Seta Cima ou Controlo-Seta Baixo
  • Dar um toque num elemento: pressionar em simultâneo Seta Cima-Seta Baixo
  • Rolar para cima, baixo, esquerda, ou direita: Opção-Seta Cima, Opção-Seta Baixo, Opção-Seta Esquerda, ou Opção-Seta Direita
  • Alterar o rotor: pressionar em simultâneo Seta Cima-Seta Esquerda ou Seta Cima-Seta Direita

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Leitores de ecrã chegam à televisão

A AppleTV 4.1, lançada em Novembro pela Apple, está equipada com o leitor de ecrã VoiceOver. Para a língua portuguesa é a primeira vez que um leitor de ecrã chega ao segmento televisão.

Ainda não são conhecidos mais pormenores.