segunda-feira, agosto 15, 2011

Kindle em todo o lado: Amazon volta a fugir da Apple

A Apple continua a querer 30% de todos os conteúdos vendidos via AppStore. Esta política tem feito alguns distribuidores de conteúdos, principalmente de jornais e de livros, a fugirem à AppStore mas a quererem chegar aos clientes com iPhone, iPod e iPad. A porta aberta, por enquanto, está no browser. O desenvolvimento de aplicações HTML5 proporcionam a mesma usabilidade proporcionada pelas aplicações desenvolvidas especificamente para estes dispositivos mas exigem apenas um acesso à Internet e um browser - o Safari. Desta forma, os distribuidores de conteúdos passam a controlar toda a cadeia de valor da distribuição, eliminando por completo a Apple, que desta forma recebe Zero.

O último a enveredar por esta solução é a Amazon, que disponibiliza o Kindle via Browser em Kindle Cloud Reader. Basta entrar na Cloud, com qualquer dispositivo, e aí está a nossa biblioteca pessoal.

Outro que já está em testes é o Financial Times.

Em termos de acessibilidade, se o Financial Times está muito bom, os livros da Amazon continuam a barrar a leitura aos leitores de ecrã - segundo a Amazon para não violar as questões de direitos de autor. Com muito esforço lá consegui entrar num livro, mas com linha braille.

segunda-feira, julho 25, 2011

VoiceOver no Lion: Cegos lêem legendas do documentário Dividocracia directamente do vídeo

Vídeo demo de leitura de legendas com o VoiceOver: 5 minutos do vídeo Debtocracy com o VoiceOver a ler as legendas. A voz é a da Joana do Lion. Acelerei-a um pouco que é para lhe dar hipótese de ler a legenda antes da próxima aparecer. Baixei o volume do vídeo que foi para aumentar o volume do sintetizador de fala de forma a que este se sobreponha ao som do vídeo.

O documentário "Debtocracy" que em português ficou com o título ao estilo de Mia Couto de "Dividocracia" levou-me à net em busca de uma solução para ler as legendas com o meu leitor de ecrã - VoiceOver, uma vez que grego não é o meu forte e tenho imensa dificuldade em acompanhar as legendas na TV - algo que provavelmente é um sentimento de milhões de portugueses mas que parece não fazer parte do cardápio de preocupações dos operadores de televisão.

Ainda recentemente tinha percebido que o VoiceOver conseguia ler todos os botões do player do vídeo (os vários botões de controlo) de uma forma bastante limpa - algo que nunca consegui com o JAWS e as interfaces Flash.

Curiosamente, o Youtube disponibilizou uma versão demo do seu player em HTML5. Os vários botões de controlo são perfeitamente acessíveis a quem usa o VoiceOver quer com braille quer com síntese de fala. A pergunta era: e as legendas!? É possível aceder às legendas com o VoiceOver? Sim! Yes! yes, ...

É preciso procurar um vídeo que tenha as legendas descoladas do vídeo, o que tecnicamente se chama close caption. No fundo, as legendas estão num ficheiro texto e são sincronizadas com o vídeo à medida que este roda.

  • 1) Entrei no link (http://www.youtube.com/html5) e escolhi a ligação "Join the HTML5 trial". Ao entrar neste link o youtube passa a mostrar-me os vídeos num player em HTML5. Claro, isto funciona no SAFARI 5.1 que suporta HTML5 e permite aceder às close captions com o VoiceOver.

  • 2) Coloquei então no motor de busca do Youtube a expressão "dividocracia português cc" e eis que surge a 1ª parte do documentário com close captions em pt-br: http://www.youtube.com/watch?v=o-cr21QKWV4.

  • 3) A parte mais curiosa vem agora. Depois de uma dúzia de testes, algumas consultas ao grupo internacional MacVisionaires - utilizadores cegos e com baixa visão de tecnologia Apple, eis que encontro uma hipótese: posiciono-me no botão "play/pause" e assim que surgem as legendas, ou imagino que sim, eis que faço (VO+seta esquerda) e eis a legenda. E assim sucessivamente. Perco algumas, atropelo outras, mas consigo perceber o sentido do documentário. Não, tem de haver uma forma melhor! Hotspots estão fora de questão - já outros utilizadores o tentarem sem sucesso - e eis que comecei a olhar para o rato. O rato!? Sim, mas ratos nunca foram a melhor coisa para controlar um computador sem o uso da visão. Pois não ... mas, a solução, para já, está no rato.

    • a) então coloquemos o VoiceOver a ler tudo o que está debaixo do rato. Vamos a "Preferências do Sistema" > "Universal Access" > "Utilitário VoiceOver" > Verbosidade e nesse painel activamos "Enunciar o texto sob o rato com desfasamento" e deixamos o desfasamento configurado em curto.

    • b) agora que o VoiceOver lê tudo o que está por debaixo do rato, vamos colocar o rato em cima das legendas à medida que elas vão aparecendo. Como é que uma pessoa cega pode colocar o rato em cima das legendas? Fácil, fácil. Pomos o vídeo a rodar e com os comandos VO+seta esquerda e VO+seta direita, levamos o cursor do VoiceOver até à tecla CC, por forma a activar as legendas. Depois das legendas activas, ou pelo menos julgamos que estejam, podemos voltar atrás, ou seja VO+seta esquerda até encontrar o botão "play/pause". Se fizermos VO+seta esquerda nesta posição e ouvirmos "carregando..." isto significa que a legenda não está neste momento no ecrã. Experimentamos várias vezes VO+seta direita, VO+seta esquerda, até ouvirmos uma legenda. Quando ouvirmos uma legenda, paramos o vídeo (VO+espaço em cima do botão "play/pause") e com uma legenda posicionada no vídeo, vamos agora colocar o cursor do VoiceOver mais ou menos no centro da legenda (número de palavras da legenda, divide por 2, get it!). Para colocar o cursor do VoiceOver no centro da legenda, posicionamo-nos na legenda (VO+seta esquerda; VO+seta direita) e entramos dentro do elemento da legenda, ou seja, VO+shift+seta baixo. E agora VO+seta direita; VO+seta esquerda até apontarmos o local que pretendemos (mais ou menos o centro da legenda). De notar que o centro de uma legenda é sensivelmente o centro de todas. A ideia é que o rato fique numa posição que nos garanta que por muito curta ou comprida que a legenda seja, o rato estará sempre em cima dela.

      Feito isto, eis um truque: vamos "Mover o ponteiro do rato para cima do cursor do VoiceOver", ou seja VO+Comando+F5. E eis que o rato está no centro da legenda.

    • c) E agora, mais um truque. Um toque no touchpad do rato coloca o vídeo a rodar de novo. Nunca arraste o dedo em cima do touchpad que é para não tirar o ponteiro do rato da sua posição! E agora, se colocarmos o dedo indicador em contacto com o touchpad do rato e balançarmos a cabeça do dedo em cima do touchpad como se o dedo fosse um pêndulo invertido em que a cabeça do dedo nunca perde o contacto com o touchpad, isto permite-nos ouvir todas as legendas. O movimento da cabeça do dedo a baloiçar em cima do touchpad gera um pequeno movimento, suficiente para o leitor de ecrã se aperceber que entrou uma nova legenda e começar a lê-la. Claro, o rato não pode sair de cima da legenda. Podemos ouvir ou ler as legendas numa linha braille. Claro que neste último caso não é muito funcional, a não ser que se consiga na linha braille uma função que substitua esta, como é o caso das teclas cursor-routing existentes nas linhas braille. Imagino que se tenha que colocar as teclas de cursor-routing a controlar o ponteiro do rato.

Resultados/Conclusões

  • O processo de colocar o rato em cima das legendas não é muito assertivo. A legenda, verticalmente, tem ligeiras alterações de posicionamento, o que faz com que o rato se dessincronize com a legenda. O método de controlo da legenda com teclado é, neste aspecto, mais assertivo. Este último passa por efectuar sucessivos varrimentos do vídeo em busca de novas legendas VO+Esquerda; VO+Direita. As legendas estão entre o botão "play/pause" e a mensagem "carregando...".
  • Qualquer um dos métodos é chato de manipular mas em ambos se conseguem ler as legendas
  • As legendas do Youtube são totalmente controladas via server-side. Um interessante exemplo, pois a legenda não deixa sequer rasto do seu invólucro. Apesar disto parecer trazer problemas adicionais aos leitores de ecrã, esta parece-me a forma correcta de trabalhar - se não tem conteúdo, apaga-se também o contentor do mesmo. Dei conta disto à Apple e enviei à AssistiveWare uma nota para que o VisioVoice pudesse ler as legendas respeitando as pausas.
  • Se o VisioVoice fizesse a leitura correcta dos ficheiros de legendas (tipo SRT) seria possível:
    • o utilizador colocar o vídeo a rodar e o Visiovoice a ler as legendas, em simultâneo - uma espécie de sincronização inicial manual. Para o efeito o utilizador teria que ter acesso ao ficheiro de texto das legendas em formato timetable (p.e. SRT, QT, etc);
    • quem edita o vídeo poderia solicitar ao VoiceOver a produção de um ficheiro áudio a partir do ficheiro das legenas que poderia sincronizar com o vídeo.
    • o VoiceOver poderia inclusivamente produzir um ficheiro áudio por cada legenda e produzir o ficheiro de texto (semelhante ao SRT) que permitiria sincronizar os vários ficheiros áudio com o vídeo com close caption

domingo, julho 24, 2011

Lion disponibiliza braille em português!!

Hoje tive oportunidade de testar uma linha braille com o Lion, sistema operativo que a Apple lançou a semana passada. A Apple já tinha anunciado e confirma-se que o Mac OS 10.7 disponibiliza a tabela braille para a Grafia Braille da Língua Portuguesa, a qual é comun em Portugal e no Brasil. Uma das poucas coisas a que conseguimos chegar a acordo :-) em matéria de idioma.

Testei-o com uma linha braille da Handy Tech, mais precisamente o modelo BrailleWave de 40 caracteres com ligação USB (com adaptador RJ45 para USB). Foi só ligar, efectuar umas pequenas configurações do VoiceOver (colocar em braille de 6 pontos - como dizia o Professor Adilson Ventura: braille de 8 pontos não é braille!) e pronto. Ficou a funcionar muito bem.

Dos testes que fiz, a tabela parece-me afinadíssima. As maiúsculas e os números aparecem com os respectivos prefixos braille. Os sinais compostos estão óptimos. Até verifiquei que as palavras em MAIÚSCULAS aparecem na linha com o prefixo de dupla maiúscula respectiva antes da palavra - notável.

A entrada de braille via teclado braille da linha braille em 6 pontos também funcionou muito bem incluíndo a introdução das maiúsculas.

É importante notar que a linha com que testei tem nas minhas mãos uns 10 anos. É notável como uma tecnologia de apoio com esta idade se adequa a um sistema operativo acabado de sair. E drivers? Nem tive que me lembrar que isso existe no jargão da informática.

quinta-feira, julho 21, 2011

O Lion vem com sintetizadores de fala em português, de origem!!!

Acabei de instalar o Lion e já verifiquei que o novo sistema operativo Mac OS X 10.7 vem equipado de fábrica com sintetizadores de fala em português. E em vez de 1, são três para português europeu: a Célia (que já estava disponível no mercado mas a pagar à parte), a Joana e a Joana Compacta (que é a mesma Joana mas mais leve). A Joana, assim de repente, parece-me bastante interessante.

Para o português na sua variante brasileira surgiu a Raquel que também vem com uma Raquel mais leve.

Assim de repente, instalei mais 6 sintetizadores de fala. Quase 2 GigaBytes de software adicionais, completamente grátis. Coisa que na semana passada me teria custado uma pequena fortuna e que em 2004, altura em que comprei o meu primeiro Mac, daria para comprar um automóvel topo de gama. O Lion custa 23.99 euros. Uma pechincha! :-)

Há muito pouco tempo, o mercado dizia que isto seria impossível. Todos pagam e usa quem precisa!! Viva o Desenho Universal!

quarta-feira, julho 06, 2011

Língua Gestual Portuguesa chega ao iPhone, iPod e IPad

Língua Gestual Portuguesa - imagem cinemática da palavra portuguesa amanhã

O Spread the Signs acaba de chegar ao iOS e ao Android.

O maior dicionário de Línguas Gestuais do Mundo, com mais de 50 000 gestos! Aprenda Língua Gestual Sueca, Portuguesa, Checa, Alemã, Inglesa, Russa, Espanhola, Turca ou Lituana. Mais países se juntarão em breve!

sábado, junho 11, 2011

iBooks v1.3: livros para crianças com texto e áudio sincronizados

Na versão 1.3 da aplicação iBooks, que permite aceder ao acervo da iBookStore, a Apple passou a suportar a norma ePub 3. A adesão a este padrão de livros electrónicos permite enriquecer o texto dos livros com áudio e mesmo vídeo. E tudo isto sincronizado através da Synchronized Multimedia Integration Language (SMIL) do W3C.

Para demonstrar as suas potencialidades a Apple incentiva os editores a publicarem livros para crianças com leitura humana. O iBooks permite salientar o texto à medida que o mesmo está a ser lido. Esta é uma função igualmente útil para pessoas com dislexia, sendo por isso desejável que os editores o alarguem a outros conteúdos que não apenas os dirigidos para crianças.

Encontrar um exemplo, não foi fácil. Na iBookstore Portugal não existe. Aliás, na iBookstore Portugal não existe nada!... Na generalidade falta literatura portuguesa na iBookstore. Tudo o que encontro por lá de mais novo é literatura do século XIX num português que já há muito não se escreve. É pena!!

Fica abaixo um vídeo com um exemplo de um excerto do livro Splat the Cat colocado por Liz Castro.

terça-feira, junho 07, 2011

Lion em Julho: 80 tabelas braille

Logo do sistema operativo Lion

Ontem, 6 de Junho, a Apple apresentou o Lion, o novo sistema operativo que chegará ao mercado já em Julho.

Estive a ver o que há de novo em termos de acessibilidade e o meu destaque vai mesmo para o sistema braille - as tabelas braille para o português vão chegar ao Mac!!

Assim, eis as funcionalidades que considerei mais relevantes:

  • o Lion vai trazer de origem 80 tabelas braille para as mais diversas línguas. A informação complementar, fornecida via sintetizador de fala, a um utilizador de linha braille - geralmente informação relacionada com os elementos estruturais do documento - vai agora ser parametrizável.
  • 23 sintetizadores de fala, um para cada idioma. A informação disponível dá-nos conta também de um conjunto ainda mais vasto de sintetizadores de fala de alta qualidade disponível no menu Utilitários do VoiceOver - não se percebe se serão a pagar ou se serão gratuitos
  • O Zoom foi agora alargado. À imagem ampliada em ecrã completo vai agora juntar-se uma nova visualização: a imagem na imagem, em se amplia numa janela a área que tem o foco deixando o resto do ecrã com a imagem normal. O cursor vai igualmente ganhar maior resolução quando visto em tamanhos ampliados.
  • Com o Lion, vai ser possível configurar o VoiceOver de forma diferente consoante as actividades a realizar, ou seja agrupar configurações de acordo com as aplicações. Depois de parametrizado, o VoiceOver passará de uns para os outros de forma automática.

fonte: Apple, Inc.

quarta-feira, maio 25, 2011

Palma da mão pode substituir ecrã de toque em muitas tarefas

Substituir os ecrãs de toque pela palma da mão é a proposta da equipa de 3 investigadores da Universidade de Potsdam, na Alemanha (ver vídeo demo abaixo). Nos ensaios que fizeram, com a palma de uma das mãos e com o indicador da outra, controlaram um iPhone sem sequer ter sido necessário tirá-lo do bolso. Os investigadores acham que num futuro próximo vai ser possível atender o telefone móvel mesmo sem que o mesmo ande connosco. O artigo "Nova tecnologia simula iPhone na palma da mão" do JN conta-nos um pouco mais deste telefone imaginário. O conceito é similar ao "Sexto Sentido" (ver vídeo abaixo), mas sem projecção da imagem da interface, A ideia desta interacção passa por socorrer-se do mapa mental que o utilizador tem da interface em causa. Dizem os investigadores "Descobrimos que 68% dos utilizadores consegue localizar a maioria das aplicações com a palma da mão."

Ora bem, a acessibilidade do iPhone poderia transformar estes 68% em 100%. Já hoje, eu utilizo, várias aplicações do iPhone sem necessitar de o tirar do bolso. Como? Usando um teclado QWERTY Bluetooth, uns auriculares e o leitor de ecrã VoiceOver. Para passar para o processo proposto pelos investigadores alemães "bastaria" substituir o teclado pela palma da minha mão. A forma de interacção desta nova modalidade está bem demonstrada na forma simples com que um jovem cego manipula o seu iPhone neste vídeo.

vídeo: iPhone imaginário controlado com a palma da mão e o dedo indicador

vídeo: o sexto Sentido

sábado, maio 21, 2011

Meo Remote: um comando à distância com leitor de ecrã

Meo Remote - o comando para a box da Meo via iPhone/iPad

Recentemente, ao ouvir o podcast Praia das Maças, percebi que a Meo tinha lançado um comando à distância para iPhone e iPad que permite controlar a box da Meo a partir destes dispositivos através da rede Wi-Fi: o Meo Remote.

Como tenho a ideia de que no futuro vamos poder usar o nosso telemóvel para servir de interface a vários dispositivos e que isso poderá resultar em ganhos de acessibilidade notáveis, fui experimentar. Apesar de não ter a box Meo, foi fácil verificar que o comando à distância é compatível com o leitor de ecrã do iPhone/iPad: o VoiceOver.

Ora aqui está um exemplo que comprova a minha tese: os dispositivos móveis, nomeadamente o telemóvel, podem servir de interface aos mais variados dispositivos e os ganhos, em termos de acessibilidade, são notáveis. Sem saber, a Meo acabou de disponibilizar um comando que pode ser controlado por pessoas cegas (em voz ou em braille) e inclusivamente por pessoas tetraplégicas, podendo controlar a box através de software de varrimento para iPhone/iPad.

domingo, maio 15, 2011

Apple compra tecnologia Nuance e está a construir um centro de intermediação

As notícias desta semana davam-nos conta de que a Apple pretendia comprar a empresa Nuance. Falou-se em 6 mil milhões de dólares! Esta empresa é conhecida mundialmente na área das tecnologias de apoio para pessoas com deficiência pelas suas tecnologias de reconhecimento de voz e de síntese de fala. Um dos seus best sellers dá pelo nome de Dragon Dictate, um software que permite, entre outras coisas, ditar texto para o computador. Infelizmente não funciona para a língua portuguesa. Em Portugal, a Nuance é bem conhecida pelo seu leitor de ecrã para telemóveis: Talks.

Já no final da semana, a Apple deu conta de uma patente, da qual retirei a imagem deste post, e os rumores sobre o que é que a empresa da maçã está a fazer com a tecnologia da Nuance começaram a surgir:

  • Uma das hipóteses passa por permitir uma comunicação bidireccional em que de um lado o interlocutor escreve uma mensagem e a mesma chega ao outro lado em voz sintetizada automaticamente. Diz o rumor que isto será útil, por exemplo, quando o receptor da mensagem se encontra num telefone que não dispõe de suporte para recepção de mensagens escritas, como é o caso da generalidade dos telefones fixos.
  • Um outro exemplo apontado, retrata uma situação em que nos encontramos numa reunião ou numa conferência. Há até rumores que citam uma igreja :-). Para não perturbar, solicitamos ao iPhone que converta a voz de quem está do outro lado da linha em texto e passamos a responder em texto sem perturbar o normal desenrolar das actividades aqui deste lado (se é que nós estamos, nestas circunstâncias a tomar qualquer atenção ao que se está a passar :-) ). O nosso interlocutor vai receber a mensagem via texto ou, caso a sua tecnologia ou tarifário não o permita, a mensagem escrita será convertida em voz sintetizada.

Mas se no mundo dos rumores mainstreaming não falta imaginação para citar os mais mirabulantes cenários, tentando convencer-nos de que precisamos desta tecnologia como de pão para a boca, o uso desta tecnologia para a área das necessidades especiais traz vantagens muito interessantes. Por exemplo, com este processo será possível estabelecer uma conversa telefónica entre uma pessoa ouvinte e uma pessoa surda. ou entre uma uma pessoa ouvinte e uma pessoa afásica, etc, etc.

Percebem agora porque costumo dizer que a área das necessidades especiais é um laboratório excelente para um cientista. Não é verdade que os cientístas levam os fenómenos para laboratório para os amplificar? No sector das necessidades especiais os fenómenos comuns aparecem-nos sempre amplificados.